Desordem Geral
Por
Alexandre Pavan - Revista Carta Capital - Abril/2002
Sem
nunca ter tocado piano, repórter vira pianista. OMB também é acusada
de forjar apoios e fazer vista grossa a subfaturamento.
Não é preciso ser nenhum
Chico Buarque ou Hermeto Pascoal para adquirir uma carteira
da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e atuar legalmente
na profissão. Não é preciso nem mesmo
ser diplomado em conservatório ou universidade. Qualquer
pessoa que arranhe algumas notas em um instrumento pode
se lançar na carreira artística com o aval
da OMB, entidade que possui atribuições semelhantes
às da Ordem dos Advogados do Brasil e deveria exercer
a defesa da classe e fiscalizar o exercício da profissão.
Para
atuar como cantor ou instrumentista, seja numa casa de
shows como
o Credicard Music Hall, seja
num barzinho da Vila Madalena, o músico precisa possuir
uma das carteiras da OMB, de músico prático
ou músico profissional, e estar em dia com as anuidades.
A única diferença entre as carteiras é
o tipo de exame. Para adquirir a primeira, um professor
avalia as habilidades do músico em seu instrumento.
Já para a segunda é preciso conhecer também
teoria e solfejo.
O
repórter de CartaCapital,
mesmo sem nunca ter tido uma única aula de piano
na vida, submeteu-se ao teste no instrumento e foi aprovado.
O exame, realizado na escola de música Keyboard,
em Jundiaí (SP), foi aplicado pelo próprio
delegado regional da OMB, Marcelo Dantas Fagundes. Na noite
anterior ao teste, o repórter pediu a um músico
que lhe ensinasse os dois acordes (lá menor e sol)
da canção Pra Não Dizer que Não
Falei de Flores, de Geraldo Vandré, um dos hinos
da MPB contra o regime militar. Antes mesmo de interpretá-la,
o jornalista já podia ser considerado um músico.
Depois de pagar uma taxa de R$ 260, em dinheiro, e fornecer
todos os documentos necessários para a inscrição
(quatro fotos 3x4, CPF, RG, carteira de reservista e comprovante
de residência), Fagundes emitiu um recibo com carimbo
da OMB contendo o nº 24.321, que permitia ao repórter
atuar profissionalmente como pianista. Só depois
o exame foi feito, e não durou nem cinco minutos.
"Toque alguma coisa", pediu o examinador. No piano
oferecido, com notas desafinadas e teclas travadas, o repórter
atacou os únicos dois acordes que conhecia. Pouco
depois, o desastre musical foi interrompido pelo delegado
regional da OMB com um "já está bom".-
Você sabe ler partitura?- Não.- Seria interessante
você aprender.
O exame foi realizado no dia 29 de janeiro. Dois meses depois,
a carteira foi entregue.
Nos últimos dois anos, o órgão vem
sofrendo pressão de um número considerável
de músicos, uns pedindo sua extinção,
outros uma reformulação profunda. No coro
dos descontentes, as primeiras críticas se referem
aos exames para obtenção da carteira e o pagamento
das anuidades, que é de R$ 82,40. "Defendo a
OMB como instituição, mas há muito
tempo suas práticas são questionáveis",
avalia Marcus Vinícius de Andrade, presidente da
Associação de Músicos, Arranjadores
e Regentes (Amar-Sombras) e diretor da gravadora CPC-Umes.
"A atual administração é prepotente,
transformou a concessão de carteirinhas em um grande
negócio e não está zelando pela qualidade
artística."
Filiado à OMB desde 1967 e com as anuidades em dia,
Andrade afirma que, por causa da emissão irrestrita
de carteiras, muitos amadores estão entrando na profissão.
Para ele, isso fica claro quando a situação
econômica do País piora. Pessoas que perdem
o emprego acabam indo fazer bico de músico em bares
só porque conseguem arranhar um violão. "Com
isso, a profissão é aviltada e os cachês
ficam nivelados por baixo."
O
presidente da Amar-Sombras culpa também a própria classe musical pela situação.
"É preciso entender que existem eleições
na OMB e, se a situação está assim
há tanto tempo, é porque a classe artística,
mesmo descontente, foi incapaz de se organizar."
A
OMB possui cerca de 50 mil inscritos em todo o País. Desses, pouco mais de 8 mil estão
em dia com as anuidades. Em fevereiro de 2000, o departamento
jurídico do Conselho Regional de São Paulo
emitiu uma carta cobrando os inadimplentes e informando
que aqueles que não quitassem seus débitos
ficariam automaticamente suspensos do exercício profissional.
Indignada com o conteúdo da carta, a Associação
da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo apresentou
uma moção de repúdio, divulgada entre
os músicos e pelo site da entidade (www.bandasinfonica.com.br).
"Quando colocamos o texto na internet, começamos
a receber mensagens de todo o País e descobrimos
que a sensação de descontentamento era maior
do que pensávamos", afirma o percussionista
Saulo de Arruda Camargo, presidente da associação.
Ainda
no primeiro semestre de 2000, em abril, a Associação da Banda Sinfônica
realizou uma assembléia com os 80 integrantes do
grupo e decidiu entrar com um mandado de segurança
coletivo contra a OMB. A liminar foi concedida, mas logo
em seguida cassada. A sentença deve sair ainda este
mês. Logo depois, um grupo de 11 pessoas entrou com
um processo na ação popular contra a Ordem,
na 12ª Vara Federal de São Paulo, questionando
o subfaturamento de contratos de artistas internacionais
(leia na pág. 72), a cobrança das anuidades
da carteira de músico e a acumulação
de cargos por parte de Wilson Sândoli, que ocupa as
presidências do Conselho Federal da OMB, do Conselho
Regional Paulista e do Sindicato dos Músicos de São
Paulo.
"A ação popular discute interesses públicos
e a música, de acordo com a Lei de Incentivo à
Cultura, integra o patrimônio cultural do Brasil",
explica o advogado e guitarrista Marcel Nadal Michelman,
responsável pelo processo. "Então, a
OMB, quando deixa de fiscalizar a profissão, não
está nem aí para contratos ou fornece carteirinhas
para qualquer um que pague, está destruindo a cultura",
diz. O andamento da ação, no entanto, está
mais lento que um samba-canção. Enquanto os
músicos aguardam, o presidente da OMB se defende
dizendo que o movimento contrário à sua administração
é feito por uma minoria. "Nossos balanços
são aprovados pelo Tribunal de Contas da União
e as auditorias são feitas. Se estou aqui todos esses
anos, não fui nomeado por ninguém, mas sim
pelo voto do músico", afirma Sândoli.
Sem
saber que a revista havia realizado o teste para a Ordem,
a Sândoli foi indagado sobre
quanto tempo um pessoa deveria estudar piano para passar
no exame prático. "Depende da pessoa. Se ela
tocar tudo o que a banca examinadora pedir, tira a carteira",
afirmou.
Sândoli assumiu a OMB em um período conturbado.
Em 1964, os principais dirigentes do órgão
- maestro José Siqueira, presidente, Constantino
Milano Neto, de São Paulo, e Gentil Filho, do Rio
- foram destituídos após uma intervenção
federal. Os conselhos, que elegem os presidentes, também
se dissiparam. Por comodismo ou medo, muitos dos membros
resolveram se afastar.
Num primeiro momento, a OMB de São Paulo ficou sob
intervenção do violinista Raul Laranjeiras,
mas logo foi indicado o nome de Sândoli, que havia
perdido as eleições para o sindicato naquele
mesmo ano. Só em 1966 seriam convocadas novas eleições
para os conselhos - e Sândoli permaneceu no cargo.
Seu poder político é inversamente proporcional
ao de sua carreira artística. Nos anos 50 e no início
da década de 60, Sândoli atuou como crooner
de algumas casas noturnas no Centro de São Paulo,
na época chamadas de táxi-dancings. O presidente
da OMB vangloria-se de ter gravado um disco, mas, quando
questionado sobre o nome do trabalho, que músicas
gravou ou qualquer outro assunto que diga respeito àquele
período, ele desconversa: "Isso já faz
muito tempo". Naquela época, cantores e instrumentistas
paulistanos costumavam se reunir no chamado "ponto
dos músicos", os bares da esquina das avenidas
Ipiranga com São João, para conseguir serviço.
Havia muitas casas de shows, com apresentações
contínuas. O rodízio de músicos era
grande por não haver vínculo empregatício
e o pagamento ser em forma de cachê diário.
Sob a condição de ter os seus nomes omitidos,
músicos que trabalharam naquele período dizem
que Sândoli atuava como agenciador de artistas, isto
é, apresentava o músico a determinada casa
e ficava com uma parte do cachê.
O presidente da Ordem dos Músicos diz que abandonou
a carreira de cantor há 15 anos, quando começaram
a acusá-lo de só conseguir trabalho porque
era o chefe da autarquia.
- Mas, se os cargos na OMB são honoríficos,
o senhor vive do quê?- Fui advogado e hoje sou juiz
aposentado.
Há quase quatro décadas
dirigindo o órgão, Sândoli apresenta,
orgulhoso, a atual sede da Ordem - dois andares no prédio
número 138 da avenida Ipiranga, em São Paulo
-, que afirma ser sua maior obra. "Está tudo
pago, tanto os andares como a reforma, e não se deve
um único real para ninguém. Faço uma
pergunta: 'No que depende de mim, o que é que eu
deveria fazer para o músico que eu não fiz?'",
questiona.- A Ordem possui algum acervo ou serviço
de documentação de partituras?
- Nunca nos preocupamos com isso porque os músicos
não se interessam.
Para o cantor e compositor Ivan Lins, a OMB deveria fazer
muito mais para valorizar o mercado musical, que ele considera "decadente". "É um absurdo, mas o
jabá continua existindo. Hoje a música brasileira
é medida pelo valor do cheque", indigna-se.
Citando o exemplo norte-americano, Ivan Lins acredita que,
se a OMB e o sindicato fossem centralizados, a atuação
de ambos seria mais eficiente.
Outro
problema é a administração.
"Essa história de Wilson Sândoli estar
no cargo há 37 anos me faz lembrar o futebol. Existem
pessoas que estão no comando - Ricardo Teixeira,
Eduardo Farah - e ninguém sabe direito como funciona
o esquema que os sustenta nas posições de
chefes há tanto tempo", compara o músico.
O
cantor Lobão considera a OMB
uma "bagunça". "Fui admitido em 1975,
quando fiz o teste - que é uma vergonha - e, desde
então, pago tudo em dia. Os músicos, porém,
não têm benefício nenhum com aquilo.
Todo show que faço é sempre uma tensão
por causa daquelas notas contratuais, com os fiscais querendo
saber quem está em dia com as anuidades", critica.
As
tais notas contratuais a que o compositor se refere são formulários que todos os grupos
musicais precisam preencher - informando o nome dos integrantes
e o número de inscrição na Ordem -
para poder se apresentar publicamente. Os fiscais só
autorizam o show se todos os músicos estiverem em
dia com as anuidades. Do contrário, o espetáculo
não pode acontecer e, se ocorrer, a casa promotora
do evento é multada.
"Um dia, fui pegar uma nota contratual para um show
e não consegui. A burocracia é tão
grande que só o Sândoli pode assinar os documentos
e, como ele estava viajando, fiquei impossibilitado de tocar",
relembra o pianista Osmar Barutti, integrante do sexteto
do Programa do Jô. "Não sou a favor da
extinção da OMB, mas ela precisa ser um órgão
moderno e que contribua com a sociedade e a classe artística",
opina.
Há dois anos, Barutti acompanhou Marcel Michelman
numa visita à sede da Ordem, quando o advogado foi
requisitar ao órgão cópias de documentos
e contratos de artistas. "O Sândoli saiu da sala
dele irritado, abrindo o paletó, esticando o peito
e berrando para o Marcel: 'Suma daqui, desapareça,
seu moleque!'", relembra o pianista, que na época
estava com uma anuidade atrasada.
No mesmo dia, Sândoli telefonou para outro integrante
do grupo musical de Jô Soares, pedindo para que fosse
dado um recado a Barutti. "Ele disse que, se eu não
quitasse a dívida, iria 'melar' meu contrato com
a TV Globo", conta o músico, que ainda era
contratado do SBT.
Barutti pagou a anuidade, mas, logo em seguida, assim como
outras centenas de músicos, conseguiu na Justiça
uma liminar que o isenta do pagamento e o desobriga de ter
qualquer vínculo com a OMB. "Acredito que as
coisas vão mudar. Tenho fé que essa nova geração
vai se mobilizar", confia.
Em dezembro de 2000, diante dessa sinfonia de processos
e liminares, Sândoli editou uma brochura contendo
um abaixo-assinado a seu favor, com cerca de 1.500 assinaturas,
e o distribuiu, via correio, para todos os músicos
do País. Embora contenha assinaturas de pessoas prestigiadas
no meio, o documento é altamente questionável.
O
nome e a assinatura do baterista aposentado Edgar Teixeira
estão impressos no livro,
mas ele só tomou conhecimento do documento quando
o recebeu em casa, já publicado. O mesmo aconteceu
com o pesquisador Ronoel Simões, detentor do maior
acervo sobre violão do planeta. "Aquele documento
é fajuto porque minha assinatura foi forjada. Eu
nunca assinei nada me declarando a favor da OMB", afirma
Simões.
Questionado
sobre a validade do abaixo-assinado, Sândoli brada: "É só o músico
dizer que não é a assinatura dele e me processar.
O que eu vou fazer? Me processe, estou pronto!"
Politicamente, há muito tempo, os responsáveis
pela música brasileira não estão tocando
no mesmo tom. Enquanto Sândoli tenta justificar a
validade das ações de sua longa gestão
e a parte descontente da classe musical busca se organizar,
em Brasília, o deputado federal Rosinha (PT-PR) quer
ver aprovado seu projeto que visa à extinção
da OMB - formulado a pedido de artistas paranaenses. O documento
já tramitou na Comissão de Trabalho e Serviço
Público da Câmara, mas foi rejeitado. Rosinha
entrou com recurso e luta para levá-lo a plenário.
NO
INÍCIO, ATÉ VILLA-LOBOS
AJUDOU
Hoje,
no quadro dirigente não
há nomes expressivos artisticamente
Se
hoje a Ordem dos Músicos
do Brasil reúne em seu quadro dirigente nomes pouco
expressivos artisticamente, no passado foi bem diferente.
Ao ser criada, em 1960, pelo presidente Juscelino Kubitschek,
os conselhos regionais e federal eram compostos pela fina
flor da música, gente como Heitor Villa-Lobos, Radamés
Gnatalli e Francisco Mignone. O idealizador da OMB foi o
paraibano José de Lima Siqueira. Ao falecer, na cidade
do Rio de Janeiro, em 1985, além de óperas,
cantatas e concertos, deixou um currículo de agitador
cultural. Compositor, regente, professor e musicólogo,
Siqueira criou e dirigiu três orquestras - a Sinfônica
Brasileira, a Sinfônica do Rio de Janeiro e a Sinfônica
Nacional.
Em
1957, resolveu fundar a União
dos Músicos do Brasil (UMB) para solucionar uma questão
essencial para a classe: a regulamentação
e o reconhecimento legal da profissão de músico,
que não existia. "Na época, os músicos
eram divididos em grupos estanques que não se davam.
Fomos até o Villa-Lobos, Eleazar de Carvalho, e conseguimos
um grande número de assinaturas - foi um milagre
de configuração política", relembra
o teatrólogo e violinista Hélio Bloch, sócio
número 2 da UMB.
Durante
um ano, a associação
atuou como uma espécie de "CUT musical",
agregando os sindicatos estaduais e as bandas militares.
Em 1958, o maestro Siqueira, que também era advogado,
trocou a batuta pela caneta e redigiu um anteprojeto de
lei para a criação da Ordem dos Músicos.
O documento foi entregue a JK, no dia de seu aniversário,
durante uma alvorada musical. Os artistas queriam que o
presidente acordasse para o problema da regulamentação
da profissão. E foi o que aconteceu, literalmente.
Às 5 da manhã, uma orquestra se instalou nos
jardins do Palácio do Catete e, sob a regência
de Eleazar de Carvalho, atacou uma apoteótica interpretação
da folclórica canção Peixe Vivo.
Juscelino sancionou a Lei nº 3.857, que criou a OMB,
em 22 de dezembro de 1960, e o primeiro presidente do órgão
foi seu próprio idealizador. Siqueira ficou três
anos no cargo. Em 1964, com o golpe militar, ele e outros
dirigentes regionais da OMB - como Constantino Milano Neto,
em São Paulo - foram acusados de pertencer ao Partido
Comunista e acabaram destituídos após uma
intervenção federal. "Acho que o fato
de Siqueira ser um simpatizante atuante das ideologias de
esquerda influenciou a inclusão de seu nome na lista
negra do regime militar", afirma Bloch.
SATISFACTION
A PREÇO DE BANANA
Oficialmente, Mick Jagger ganhou R$
17 mil por show no Brasil
A
Ordem dos Músicos do Brasil
costuma receber 10% do valor dos contratos de artistas estrangeiros
que se apresentam no País. Se o cachê de músicos
como Madonna e Rolling Stones é milionário,
os cofres da OMB deveriam estar recheados, certo? Errado!
Na prática, o órgão recebe módicas
quantias, e tudo porque os valores de tais contratos são
subfaturados. Quem admite isso é o próprio
presidente da OMB, Wilson Sândoli.
Em
1994, os Rolling Stones receberam R$ 215 mil por cada
uma das quatro
apresentações
que fizeram em São Paulo e no Rio de Janeiro. O cachê
de Mick Jagger foi de pouco mais de R$ 17 mil. Sândoli
culpa o coordenador de imigração do Ministério
do Trabalho, Sadi Assis Ribeiro Filho. "É uma
vergonha o valor dos contratos que ele libera."
Pela
assessoria de imprensa do ministério,
Ribeiro Filho responde que não é da sua alçada
determinar os valores, e esses ficam a critério das
partes interessadas, contratado e contratante. De acordo
com o artigo 53 da lei que criou a OMB, os contratos com
músicos estrangeiros só podem ser registrados
no Ministério do Trabalho depois de provada a realização
do pagamento da taxa de 10% sobre o valor do documento
e
o recolhimento da mesma no Banco do Brasil, em nome da
Ordem e do sindicato local, em partes iguais.
"O problema é que os documentos
já nos chegam assinados pelo coordenador de imigração.
Chegam até contratos no valor de R$ 500", afirma
Sândoli. O advogado da OMB, Humberto Perón,
diz que Ribeiro Filho tem se recusado a recebê-lo
para discutirem o assunto. Por outro lado, a entidade musical
torna-se conivente porque, mesmo questionando os valores,
acaba autenticando os documentos. "Se não assinarmos,
o evento acontece do mesmo jeito, porém a gente não
recebe a taxa. E é melhor receber 10% de pouco do
que 100% de nada", declara Perón.
Veja a Notícia >> Musicos
não precisam mais de carteirinha.
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